ABC 110 Anos: Uma História Que Vive no Coração do RN
Há 110 anos, um grupo de jovens reuniu-se no casarão do Cel. Avelino Freire, no bairro da Ribeira, para a criação de uma agremiação esportiva. Por sugestão de José Potiguar Pinheiro, escolheu-se o nome ABC, em homenagem ao tratado diplomático entre Argentina, Brasil e Chile. João Emílio Freire foi o primeiro presidente. Em 1916, Cícero Aranha assumiu a presidência, ano em que foi realizado o primeiro jogo interestadual do futebol potiguar.
O natalense Café Filho, então jovem estudante de Direito no Recife, articulou a visita do Santa Cruz-PE a Natal. O evento, que mobilizou toda a cidade, foi marcado por grande festa.
Em 1920, o desportista Enéas Reis tornou-se presidente, sendo o primeiro a ocupar o cargo por três mandatos. Ainda naquele ano, formou-se a primeira equipe feminina. Em 1928, o ABC brilhou na inauguração do Estádio Juvenal Lamartine, com Deão marcando o primeiro gol da moderna praça esportiva.
Em 1929, a equipe teve uma jornada memorável em Fortaleza, durante as comemorações do centenário de nascimento de José de Alencar. A delegação foi recebida por uma multidão no Cais da Tavares de Lyra. Nos anos 1930, o clube consolidou sua grandeza com a chegada do supercraque Xixico, vindo do futebol cearense. Foi o primeiro grande ídolo do clube, destaque da histórica "seleção fantasma" do RN, terceira colocada no Brasil em 1933.
Durante a década, o ABC obteve expressivos resultados em jogos em João Pessoa e Recife. Sob a presidência de José Tavares (1932–1945) e com Vicente Farache como patrono e técnico, o clube conquistou o lendário Decacampeonato (1932–1941). Nesse período, também foram iniciadas as modalidades de basquete e voleibol.
Na década de 1940, destacou-se Albano, o bailarino, craque da finalíssima do decacampeonato, consagrado como segundo grande ídolo. O zagueiro Gageiro foi eleito o melhor jogador do futebol potiguar, em enquete promovida por jornal local.
Na segunda metade dos anos 1940, chegaram os craques mossoroenses. Tidão, prestes a completar 100 anos, ainda reside em Natal. Depois vieram Jorginho, o "professor da bola" e maior artilheiro do clube, e Dequinha, o “Copa Norte”, primeiro potiguar a chegar à Seleção Brasileira.
O clube já contava com o primeiro estádio Maria Lamas Farache, em Petrópolis. A década de 1950 começou com a conquista do título do "Ano Santo" e seguiu com o tri (1953–1955), incluindo o inédito campeonato nas quatro categorias (infantil, juvenil, aspirante e titular), que originou as quatro estrelas do escudo. Em 1957, foi implantado o futebol de salão, também vitorioso. Em 1958, iniciou-se o Pentacampeonato, a segunda maior sequência de títulos do clube.
No dia 31 de janeiro de 1959, o presidente Ernani da Silveira inaugurou a suntuosa sede da Rua Potengi, que dominaria o cenário social da capital nos anos seguintes.
Em 1968, chegou Alberi, vindo do Santa Cruz-PE, tornando-se o grande ídolo da década de 1970, ao lado de Marinho Chagas. Nessa época, dirigentes como Aluízio Bezerra, Zeca Passos, Bira Rocha e Prudêncio deixaram seus nomes gravados na história do clube.
Em 1972, o ABC venceu o Clássico Rei na inauguração do Castelão, com William marcando o primeiro gol. O clube foi tricampeão estadual e participou, de forma inédita, da elite do futebol brasileiro. Alberi foi eleito o melhor meia-direita do país e recebeu a Bola de Prata da revista Placar.
Em 1973, veio o terceiro tetracampeonato e a gloriosa excursão à Europa, com vitórias históricas sobre o Fenerbahçe (Turquia) e empate com a Seleção da Romênia. Na volta, Natal viveu a maior concentração popular de sua história: um corredor humano se formou de São José de Mipibu até a sede da Rua Potengi.
Em 1976, o título da equipe da "cocada", com nomes como Hélio Show, Pradera, Drailton, Reinaldo, os dois Zé Carlos e os dois Nóes, entrou para a história.
Nos anos 1980, o lendário ataque dos "cem gols" brilhou com Silva, Marinho, Dedé de Dora e Curió, sob a gestão do presidente Rui Barbosa.
A década de 1990 foi marcada por conquistas expressivas: o tri (1993–1995), na gestão Leonardo Arruda, e o tetra (1997–2000), com o presidente Judas Tadeu. Em campo, craques como Adílson Heleno, Sérgio Alves e Robgol fizeram história.
O novo milênio trouxe o Estádio Frasqueirão (2006), o surgimento do ídolo Wallyson (2007) e o título brasileiro da Série C (2010).
Além dos já citados, a torcida abecedista jamais esquecerá nomes como:
Gentil Ferreira de Souza, Alberto Amorim, José Ferreira dos Santos, Amaro de Souza Marinho, Roberto Pereira Varela, Firmino Firmo de Moura, José Nilson de Sá, Severo Alves da Câmara, Edson Teixeira da Silva, José de Paiva Torres, Eudo Laranjeiras Costa, José Wilson Gomes Neto, Leonardo Arruda Câmara, Rubens Guilherme Dantas, Paulo Tarcísio Lopes, Fernando Antônio Brandão Suassuna e Elisiel Ubirajara Marques.
Hoje, o clube possui uma estrutura invejável. O valioso patrimônio do Maior Campeão do Mundo está localizado no bairro de Ponta Negra, área nobre da cidade do Natal (RN), com uma área total de 100.000 m². Nela estão o Estádio Maria Lamas Farache, os CTs Alberi Ferreira de Matos e José Nilson de Sá, a sede social e administrativa, o Centro de Treinamento Físico José Prudêncio Sobrinho, a concentração Jorge Tavares de Morais e o Auditório Ernani Alves da Silveira.

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